Me arrependo profundamente do termo que usei em meu pensamento: 'obrigada'. Depois que eu o conheci, me sinto grata pela outra tia ter ido brincar com aquelas duas garotas, que talvez não tocassem o meu coração da mesma forma que o Carlos tocou.
Estava eu no pula-pula com duas meninas, até que ele chegou. Ficou pulando comigo, doido para me derrubar. A criançada decidiu fazer montinho em mim, e eu deixei, já que era o que elas tanto queriam.
Eu fiquei muito cansada de tanto pular, e sugeri que fizemos outra coisa para descansar. As meninas queriam pintar, e eu fui pegar um copo d'água enquanto elas sentavam, e o Carlos se dirigiu para o canto, com as peçinhas de montar.
Quando voltei para falar com as meninas, a outra tia já havia pegado papel para elas desenharem, e as fez companhia. A única criança sozinha era o Carlos.
Guiei-me para lá, querendo estar com as meninas, mas ele era uma companhia agradável, e enquanto ele montava, me disse:
Carlos: Vou montar uma coisa bem bonita.
A principio, apenas para ser legal, eu perguntei:
Danny: Então você vai montar você?
Ele sorriu do meu gracejo e disse que não. Mas se ele quisesse montar algo bem bonito mesmo, deveria se montar, e agora não estou querendo ser legal. Estou sendo sincera mesmo.
Depois que ele terminou de montar um herói, nós fomos próximos a cama elástica, e umas das tias saiu e eu fui obrigada a controlar a criançada lá. Fui obrigada a dividir o pouco tempo que eu tinha com ele para brincar com outras crianças, e eu percebi que o Carlos queria que EU brincasse com ele. Tanto que ele disse que queria ir na cama elástica. Disse que iria desenhar algo, acho que era para mim, e desenhou uma flor ou uma árvore. E enquanto ele esperava a sua vez para ir na cama elástica, ele me disse que era craque no futebol. Achei isso tão lindo e tão humilde, vindo dele.
Quando estavamos na piscina da bolinha, a frase dele tocou o meu coração. Não canso de repetir as palavras dele mentalmente:Carlos: Tia, qual é o seu nome?
Danni: Eu me chamo Danny, e você é Carlos, né?
Carlos: Sim. Eu gostei de você.Aquela frase me pegou de surpresa, simplesmente não esperava ouvir aquilo de nenhuma criança, muito menos dele, até porque eu havia me sentido 'obrigada' a principio.
E depois, quando estavamos jogando boliche, ele fez um strike e eu o abraçei. Logo depois ele me disse:
Carlos: Eu queria que você fosse a minha mãe...Novamente ele me pegou desprevenida. Não imaginava que ele tivesse gostado tanto de mim... Eu o respondi com sinceridade, mas talvez por ser pega desprevenida, talvez a minha pronúnica não tenha soado com sinceridade:Danny: Eu quero ter um filho igual a você.
Alguns minutos depois ele foi embora, e nem deu tempo para me despedir dele, porque a tia o puxou bruscamente. Vi a sua avó o esperando, enquanto a tia o calçava. Pensei em falar com ela, elogiá-la pelo neto maravilhoso que tem, mas fiquei com vergonha e com medo do meu chefe achar ruim. Escondi-me no vestiário enquanto lágrimas queriam saltar dos meus olhos...
Mas relendo novamente, e parando para pensar, eu queria ele como meu filho. E até hoje eu me emociono só de pensar nele. Não me canso de pensar, porque pensar nele faz bem. Indepentente do tempo, sei que nunca o esquecerei
0 comentários:
Postar um comentário