O elogio mais sincero é aquele vindo de uma criança

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No domingo que se passou, no dia 28 de dezembro, eu conheci um garotinho lá no Infla Park, aonde estou 'trabalhando temporariamente', chamado Carlos que deve ter uns sete ou oito anos de idade. A principio eu não iria brincar com ele, porque o meu chefe disse que quanto mais crianças estivessem ao nosso redor, melhor seria (eles tratam as crianças como se fossem um objeto ou um produto). E esse garotinho estava brincando sozinho, enquanto tinha outras duas garotas juntas, também sozinhas. De qualquer forma, uma outra 'tia' (como somos chamadas) se dirigiu para aquelas meninas, e eu fui 'obrigada' a brincar com o Carlos.
Me arrependo profundamente do termo que usei em meu pensamento: 'obrigada'. Depois que eu o conheci, me sinto grata pela outra tia ter ido brincar com aquelas duas garotas, que talvez não tocassem o meu coração da mesma forma que o Carlos tocou.

Estava eu no pula-pula com duas meninas, até que ele chegou. Ficou pulando comigo, doido para me derrubar. A criançada decidiu fazer montinho em mim, e eu deixei, já que era o que elas tanto queriam.
Eu fiquei muito cansada de tanto pular, e sugeri que fizemos outra coisa para descansar. As meninas queriam pintar, e eu fui pegar um copo d'água enquanto elas sentavam, e o Carlos se dirigiu para o canto, com as peçinhas de montar.
Quando voltei para falar com as meninas, a outra tia já havia pegado papel para elas desenharem, e as fez companhia. A única criança sozinha era o Carlos.
Guiei-me para lá, querendo estar com as meninas, mas ele era uma companhia agradável, e enquanto ele montava, me disse:
Carlos: Vou montar uma coisa bem bonita.

A principio, apenas para ser legal, eu perguntei:
Danny: Então você vai montar você?

Ele sorriu do meu gracejo e disse que não. Mas se ele quisesse montar algo bem bonito mesmo, deveria se montar, e agora não estou querendo ser legal. Estou sendo sincera mesmo.
Depois que ele terminou de montar um herói, nós fomos próximos a cama elástica, e umas das tias saiu e eu fui obrigada a controlar a criançada lá. Fui obrigada a dividir o pouco tempo que eu tinha com ele para brincar com outras crianças, e eu percebi que o Carlos queria que EU brincasse com ele. Tanto que ele disse que queria ir na cama elástica. Disse que iria desenhar algo, acho que era para mim, e desenhou uma flor ou uma árvore. E enquanto ele esperava a sua vez para ir na cama elástica, ele me disse que era craque no futebol. Achei isso tão lindo e tão humilde, vindo dele.
Quando estavamos na piscina da bolinha, a frase dele tocou o meu coração. Não canso de repetir as palavras dele mentalmente:Carlos: Tia, qual é o seu nome?
Danni: Eu me chamo Danny, e você é Carlos, né?
Carlos: Sim. Eu gostei de você.
Aquela frase me pegou de surpresa, simplesmente não esperava ouvir aquilo de nenhuma criança, muito menos dele, até porque eu havia me sentido 'obrigada' a principio.

E depois, quando estavamos jogando boliche, ele fez um strike e eu o abraçei. Logo depois ele me disse:
Carlos: Eu queria que você fosse a minha mãe...Novamente ele me pegou desprevenida. Não imaginava que ele tivesse gostado tanto de mim... Eu o respondi com sinceridade, mas talvez por ser pega desprevenida, talvez a minha pronúnica não tenha soado com sinceridade:Danny: Eu quero ter um filho igual a você.
Alguns minutos depois ele foi embora, e nem deu tempo para me despedir dele, porque a tia o puxou bruscamente. Vi a sua avó o esperando, enquanto a tia o calçava. Pensei em falar com ela, elogiá-la pelo neto maravilhoso que tem, mas fiquei com vergonha e com medo do meu chefe achar ruim. Escondi-me no vestiário enquanto lágrimas queriam saltar dos meus olhos...


Mas relendo novamente, e parando para pensar, eu queria ele como meu filho. E até hoje eu me emociono só de pensar nele. Não me canso de pensar, porque pensar nele faz bem. Indepentente do tempo, sei que nunca o esquecerei Image and video hosting by TinyPic.

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